2009
10.29


Chegou a vez dos The Polyamorous Affair
que, apesar do nome sugestivo, são uma dupla composta pelo casal Eddie Chacon e a sua esposa Sissy Sainte-Marie.

Depois de terem tomado de assalto as pistas de dança com o álbum homónimo, a banda lança Bolshevik Disco, uma colecção de temas revolucionários electro-pop, que combinam na perfeição o Disco com o Psicodélico, evoluindo de sons explorados por Bowie, ABBA ou Blondie.

O cruzamento das vozes de Chacon, de engante subtil, sensual, com a voz naive, espacial e cristalina de Sainte-Marie resultam em temas compulsivos, que exaltam glamour e soul, em que o vocoder e os sintetizadores assumem grande importância, entre palavras suspiradas e coreografias suadas.

Bolshevik Disco é um álbum divertido, que merece ser ouvido, mas que sabe a pouco, por ser tão rápido e pouco arriscado. No entanto, singles como ‘White Hot Magic’, o cover de ‘Satellite of Love’, ‘Fashion’ (puro Scissor Sisters), ‘You Are’ e o spicy ‘Whoever control the groove’, são obrigatórios:

2009
10.28

Se algum dia for feito um remake do filme ‘The NeverEnding Story’ (que eu até acho que vão fazer), a banda sonora terá de ser, indiscutivelmente, dos suecos The Sound of Arrows.

A dupla, composta por Stefan Storm e Oskar Gullstrand, aposta numa combinação de ritmos etéreos electro-pop, vocais ao estilo Pet Shop Boys, explosões gráficas de cor contagiante, que nos transportam para ambientes irreais, mágicos e futuristas, habitados por unicórnios e arco-íris, imagética infantil, alegres coros de crianças, reinos e heróis inter-galácticos. O que há para não gostar em todo este imaginário?

Na verdade, esta fórmula começa a revelar-se um êxito para a banda cujo projecto se resumia em produzir apenas 2 ou 3 músicas, mas que acabou por se render ao sucesso do tema ‘Narrow Escape’, e assim decidiu continuar para a produção do EP Danger! e o full-length ‘Into the Clouds’, com lançamento agendado para início de 2010. Admito que fiquei com água na boca à espera de um justo sucessor.

Ficam os geniais vídeos dos dois singles de apresentação, produzidos pelos próprios, ‘Into the Clouds’ e ‘M.A.G.I.C.’ (com uma certa semelhança a D.A.N.C.E dos Justice), assim como um remix de Mille.

2009
10.27
O retro está in. O disco vintage voltou e instalou-se de vez. Que o digam a dupla de Portland, Glass Candy, composta pela sensual vocalista Ida No e o produtor Johnny Jewel, dois nomes ligados à editora-sensação do circuito alternativo Italians Do It Better, responsável por bandas como Chromatics, Mirage ou Farah.
O percurso dos Glass Candy fez-se ao contrário, numa viagem ao passado. Começaram muito influenciados pelo pós-punk inglês, estando mais ao nível dos vocais agressivos de Karen O e os seus Yeah Yeah Yeahs, do que dos sons disco das pistas de dança no primeiro álbum Love Love Love. A banda começou a descobrir a electrónica no álbum seguinte (Iko Iko), mas atingiram o verdadeiro boom ao participarem no álbum de referência ítalo-disco After Dark, da editora Italians do it Better com 4 temas de puro groove: ‘Computer Love’ (cover produzido à revelia jurídica dos Kraftwerk), a super cool ‘Rolling Down The Hills’ e outros dois singles exclusivos ‘Miss Broadway’ e ‘The Chameleon’.
Aqui se lançou a banda tal como a conhecemos hoje: uma voz potente ao estilo Debbie Harry em Heart of Glass, disco sound borbulhante, decadente e sensual com vocais que oscilam entre ingenuidade, impaciência e tensão sexual, em danças desenfreadas ao sabor dos ácidos sob um mar de bolas de espelhos.

B/E/A/T/B/O/X
O passo seguinte seria B/E/A/T/B/O/X, o último álbum, fácil de ouvir, sem riscos com 9 faixas condensadas em pouco mais de 40 minutos. O estilo e a qualidade mantêm-se: synth-pop pesado, vocais ítalo-disco transpirados, melodias densas. Um álbum que se apodera do vintage old disco, com forte recurso aos sintetizadores, e lança ou reinventa clássicos como a desinteressada e deliciosa ‘Beatific’, a sensual ‘Candy Castle’, ‘Rolling Down The Hills’, ‘Digital Versicolour’, ‘Life After Sundown’ ou, claro, ‘Computer Love’.

2009
10.23


Embora lhes falte o climax de um terceiro X, os The XX são talvez a banda com mais hype do momento no Reino Unido. Sem nenhum grande single que os defina, este quarteto de adolescentes de 20 anos (!) têm 3 ou 4 que se poderem considerar “the ones”: Basic Space, Crystalised, Infinity e Shelter.

Nada se pode concluir das influências deste grupo: de Aaliyah a CocoRosie, Rihanna a The Cure, Missy Elliott a Chromatics, The Kills a Ginuwine, Pixies a Mariah Carey e Justin Timberlake a Tracy + the plastics, o melhor é ouvi-los e tirar as próprias conclusões. A mim, soa-me mais a uma PJ Harvey com a doçura da voz de Tracey Thorn dos EBTG com um Tricky menos soturno, a cantarem composições bem comportadas de sexo e relações pessoais.

O álbum, sem qualquer energia especial, é estranhamente sedutor. Os murmúrios, os sussurros, as palavras cantadas, minimais, roucas, segredadas, tornam cada música uma experiência pessoal e intimista de quietude e nuances. E isso funciona, pelo menos comigo.

Fica o assombroso e emocional remix de Shelter por Them Jeans (do melhor que já ouvi), um remix totalmente novo para You’ve got the Love (Florence and the machine) e Crystalised.

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The XX – Shelter (Them Jeans remix)


2009
10.22

Embora já não seja novidade para ninguém, apetece-me relembrar o enorme sucesso dos Empire of The Sun, que tomaram de assalto blogs, ipods e rádios de todo o mundo. O duo australiano formado pelo incrivelmente talentoso Nick Littlemore (também responsável pelos electrónicos PNAU ou Teenager, banda art-rock-punk-dance, ao lado de Pip Brown, a.k.a Ladyhawke) e o temperamental Luke Steele (dos The Sleepy Jackson) é apontado como os novos MGMT. Se bem que seja positivo serem equiparados à banda revelação de 2009, estes rapazes vão mais longe com uma abordagem menos sombria que os primeiros, totalmente nova e fresca da música de dança, cruzando sons electrónicos e orgânicos que, segundo os próprios caracterizam, serpenteia o psych/tropical/glam, com inspiração óbvia nos beats synthpop do anos 80 – combinação estranha, mas com um resultado surpreendente.

Nesta busca de auto-conhecimento, de força interior transcendental, já filmaram na China, onde conheceram imperadores, no deserto mexicano, onde se cruzaram com astecas e partem agora para a Islândia.

De facto, este duo é diferente de tudo o resto. Com uma estética galáctico-espiritual, os Empire of the Sun, com o seu álbum de estreia ‘Walking on a Dream’, combinam como ninguém o antigo com o moderno, o tradicional com o urbano, o místico com o real, quais feiticeiros espaciais de vozes nasaladas, de maneirismos teatrais e postura enigmática que surgem numa jornada épica para conquistar o mundo. E estão a conseguir.

Um aparte

Tudo o que luz, tem um lado negro. Depois de desaparecido durante mais de 5 meses, Nick Littlemore deu finalmente sinais de vida. Ao que parece andou entretido com o Cirque do Soleil e a gravar originais para o novo álbum de PNAU com Sir Elton John (?!), assumido fan da banda. Óptimas notícias para mim, que aguardo ansiosamente este álbum, péssimas para Steele que terá de continuar a digressão de Empire of the Sun sozinho.

Aqui fica uns dos mais recentes vídeos para ‘We are The People’, filmado no deserto de Icamole (México), um transe tribal de procura da divindade, inspirado nas lendas e tradições do Día de los Muertos, e o video para o primeiro single ‘Walking on a Dream’:




2009
10.21


A editora Neon Gold Records, por trás dos geniais Passion Pit, brindou-nos no início do ano com os reluzentemente britânicos Marina and The Diamonds.

Depois dos primeiros singles ‘Obsessions’ e ‘I am not a Robot’ e do seu video de glitter e purpurinas, a não menos cintilante Marina e os seus Diamonds voltam a brilhar com o novo video de Mowgli’s Road. Aqui, reencontramos uma incrível mulher-harmónio, imbatível no seu estilo neo Kate Bushista, de olhar fatal e inocência dissimulada, uma one woman show que foca em si toda a exuberância da banda.

Mesmo que tenha surgido na fornada de Little Boots ou La Roux, rapidamente se destacou para um nível totalmente diferente. O calor e a envolvência da voz, os ritmos new wave pop, os sintetizadores sincopados, estão em exacta perfeição e disparam diamantes em todas as direcções, tornando cada tema numa experiência digna de repeat.

Aqui o vídeo oficial de Mowgli’s Road, realizado por Chris Sweeny, responsável por vídeos dos Friendly Fires ou Sophie Ellis Bextor:

Pelos blogs andam ainda remixes dos Phenomenal Handclap Band, Russ Chimes, Gaggle ou Mille. Aqui fica, assumidamente, o favorito de Marina e o meu também:

Marina and the Diamonds – Mowglis Road (Mille Remix)

Marina and the Diamonds – Mowglis Road (Mille Remix)


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