2009
11.29

Começou a contagem decrescente para o lançamento de WHB, o álbum de estreia dos londrinos We Have Band agendado para início de 2010. A banda monta uma armadilha sonora, aumentado as já elevadas expectativas, com o tema Honeytrap, disponível para download gratuito no site oficial.

Dados a conhecer em 2008, na sexta colectânea da editora francesa Kitsuné Records, com o incrível Hear It In the Cans, logo se destacaram pelas influências electro-rock, punk e indie com ritmos pesados e underground, pontuados por baixos carregados e vocais repetitivos de atitude despojada. O trio, composto por Thomas WP (vocal, guitarra, baixo e programação), Dede WP (vocal, percussão e samples) e Darren Bancroft (vocal, bateria, percussão e samples), apodera-se do universo acústico de bandas dos anos 80 como DEVO, Depeche Mode ou Kraftwerk, mas desprende-se em acordes mais dançáveis de estética moderna e métricas hipnóticas. Temas como Oh! ou You Come Out são exemplos claros desta identidade, texturados por elementos synthpop acelerados, sons que nos transportam para os antigos jogos de consola e três vocais distintos, adoçados pela sensualidade blasé de Dede, que percorrem as melodias em formato ping-pong.

Definitivamente eles têm banda e têm tudo para serem a next big thing do próximo ano. Ficam dois magníficos vídeos e algumas músicas e remixes para descobrir o submundo enevoado dos We Have Band.

We Have Band – Oh! (Andrew Friendly remix)

We Have Band – West End Girls (Pet Shop Boys cover)

We Have Band -Oh! (Gentleman’s Drivers remix)

Filthy Dukes – Messages (We Have Band remix)

2009
11.27


In Ípsilon (porque não tive tempo para mais):

Os Horse Meat Disco revisitam a época dourada do disco em festas que evocam a herança gay do género.

Há quem descreva as noites Horse Meat Disco como as festas disco mais importantes do mundo. O conceito lançado há seis anos por Jim Stanton e James Hillard é tão simples como eficaz: recuperar o espírito das festas disco dos anos 1970, os primórdios da música de dança. Os Horse Meat Disco têm um lugar de destaque no revivalismo disco dos últimos tempos, mas fazem-no com um apego aos temas originais, mais do que aos tão em voga “re-edits”.

Os Horse Meat Disco (a que se juntaram, depois da fundação, Severino e Filthy Luka) dedicam-se “à indústria da felicidade humana”, todos os domingos, no The Eagle, em Londres, onde a sua residência se tornou obrigatória, e um pouco por todo o mundo (hoje é a vez do lisboeta Lux). Montam uma “festa ‘queer’ para toda a gente: homos e heteros, miúdos ‘clubbers’, ‘bears’, ‘fashionistas’, naturistas, ‘drag queens’ guerrilheiras” e quem mais quiser juntar-se à festa. Dedicam-se a “celebrar a herança gay do disco, oferecendo um espaço onde ‘clubbers’ straight e gay possam misturar-se facilmente, como nos clubes nova-iorquinos lendários na qual foi modelado – o Saint, o Loft, o Gallery, o Paradise Garage”.

Musicalmente, os Horse Meat Disco recuperam a deep house, italo disco, punk funk e a mistura de jazz, música latina, soul, funk e pop que seria rotulada de disco. Em Agosto, a Strut lançou uma compilação organizada e misturada pelo grupo com faixas como “Deetour”, de Karen Young (“funkalhada” sintetizada de primeira água) e a hiperactiva “In the Evening”, de Sheryl Lee Ralph.

A noite disco do Lux fica completa com Hard Ton Disco Queen e Social Disco Club. O primeiro é um italiano que se apresenta como a maior “disco queen” do século XXI e cujo nome artístico se refere às suas erecções e peso (150 quilos). Está entre o italo disco, o despudor “trash” e uma alegre confusão de referências (canta em bandas metal e é fã do disco clássico), surgindo em palco seminu, em poses provocantes. Social Disco Club é o projecto do português Humberto Matias, estudioso da história dos “re-edits” e do disco.

2009
11.26

O impensável aconteceu: engoli o orgulho e decidi escrever sobre Lady Gaga. Confesso não ser grande fan da artista, acho que não tem grande voz, as músicas são demasiado forçadas, demasiado comerciais e ocas. Falta-lhes refinamento. Mas admito que gosto do conceito gráfico irreverente e mordaz, da atitude in your face, e isso faz metade de um bom artista.

Deste modo abro aqui um precedente, muito por culpa dos nova-iorquinos Hercules & Love Affair e do seu brilhante mix para Bad Romance, que me fez ouvir até ao final esta música (que até aqui tanto me aborrecia) e acreditar que talvez sejam bons remixes com este a salvar a auto-proclamada rainha do pop ao meus olhos.

Fica o remix e, não poderia deixar de publicar, o dueto com Beyoncé em Telephone, para ouvir sem remorsos:



2009
11.26

Há alguns meses que os Monarchy estavam desaparecidos. A dupla, que se estreou com o incrível Gold In the Fire, que já tinha falado aqui, volta agora num registou totalmente diferente, deixando uma enorme incógnita sobre o que virá a seguir.

Black, The Colour Of My Heart, mantém um ritmo house interessante, com uma beatbox a marcar o compasso e vocais mais adultos, mais conscientes e temperamentais. As ambiências cósmicas e festivas deram lugar a um espaço mais sombrio, com uma letra que quase chega a ser piegas, mas é bem envolvida por uma voz quente e polida. Agora sim, quero ver mais destes rapazes.

Monarchy – Black The Colour Of My Heart

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Monarchy – Gold In The Fire

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Monarchy – Gold In The Fire (Diamond Cut remix)

2009
11.25

A Austrália tem vindo a revolucionar as sonoridades disco e synthpop, e a puxar os limites da música electrónica através de bandas arrojadas como os Cut Copy, Empire of The Sun, The Presets ou Pnau.

A estas potências musicais, junta-se agora a adrenalina dos Bag Raiders, duo formado por Chris Stracey and Jack Glass em 2005. A banda, com inspirações descaradas de Daft Punk, destaca-se pelo domínio de sintetizadores sumarentos ao estilo arcade, percussões pujantes, guitarras estridentes e, claro, vozes robóticas e distorcidas em vocoders. Com 3 EP’s na bagagem, estes salteadores de electro depurada, surpreendem tanto em temas intensos de head banging, como Fun Punch ou Turbo Love, como em produções mais suaves e melódicas, como o sensacional Shooting Stars (para mim umas das melhores músicas de 08/09), sem nunca sacrificar o épico momento do elevar os braços no ar.

No seu lançamento, o incrível Shooting Stars tocou muito corações nos quatro cantos do planeta. Aliás, estes rapazes de Sidney criaram uma música pop verdadeiramente brilhante, emotiva, enriquecida pela voz sedutora de Rhys dos Ted & Francis e pontuada por sintetizadores omnipresentes e ambientes disco. Um tema que cresce dentro de nós, e se ouve de uma assentada quase sem respirar.

Fica o vídeo para Shooting Stars e Fun Punch, assim como algumas músicas e remixes para saborear:

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2009
11.23

FLASHWORX

Há muito que a Suíça deixou de ser um país neutro. E são novas bandas como os FlashWorx, que conheci após ter sido convidado para o seu MySpace, que confirmam isso mesmo.

Anthony Hammer e Mike Arthur Le Trèfle são naturais de Itália, mas criam música em Geneva, sua cidade natal. Nascidos nos anos 80, a dupla demonstra fortes inspirações na música, na moda e nos ideais desta fértil década. A preparar o lançamento de um EP, os FlashWorx apostam em referências italo-disco e sonoridades synthpop revivalista. Ao primeiro single instrumental, Il était une fois, seguiram-se alguns remixes, que reinterpretaram com competência à luz da sua paixão por chumaços e permanentes. São óptimos exemplos temas como Embrace dos PNAU, Lost Feeling dos Visitor ou Karate dos Futurecop!

A banda chegou com ‘sede de conquistar o mundo’ (citação dos próprios), com um novo som e um novo estilo. Resta esperar que se confirme nos próximos trabalhos. Para já, é uma boa surpresa.

Ficam alguns temas, gentilmente cedidos pela banda:

Pnau – Embrace (FlashWorx remix)

Futurecop! – Karate (FlashWorx remix)

Il était une fois – FlashWorx

Visitor – Lost Feeling (FlashWorx remix)

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